23 outubro 2024

O teu corpo... de vidro

 

Entranho-me entre palavras ditas

parvas ruas começando na alvorada

nunca

terminando

vivendo debaixo do tecto da madrugada,

 

Sofrendo as palavras mortas

dor

como a chuva de Maio às esplanadas de suor

teu nosso corpo mergulhado na noite

e existem as palavras entre espelhos de porcelana,

 

A cama treme

o frio

a febre

teus meus braços fixos no leme da saudade

como um carvalho olhando o Douro da montanha apodrecida,

 

A mendiga mão que os teus olhos comem

sofrem

bebem as hóstias destinadas ao prazer do sémen encardido sobre os vidros de cor

que as ditas palavras

deixam sobre o orgasmo nocturno das bocas sofridas,

 

Mato-me conforme o prometido

quando absorvi o teu corpo de gesso

o teu corpo... de vidro

em cor

com dor...

 

sofrido.

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