23 outubro 2024

O preto transformar-se-á em dia

 

O preto ambíguo semeado em lábios de chumbo

como a poesia melancólica das paredes de uma livraria

sentia-te dentro de mim em flores de inverno

das tuas guelras se transformam as palavras

e as tuas palavras

simples gargantas ao abismo térreo,

 

Sentir-te no meu peito que procura nas sombras o desejo

lágrimas e pequenas voláteis sílabas mergulhadas nos teus seios cereja adormecida

o preto transformar-se-á em dia

e do branco tua pele sedosa e meiga

acordará a noite

em prazeres de insónia,

 

Sentir-te como pedaços de papel

ainda virgens os livros por escrever

e folheias páginas brancas

céus crispados na língua suspensa no meu pescoço imensurável

ausente como as canções que a Primavera deixa cair sobre as árvores...

e afugenta os pássaros da paixão.

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