O preto ambíguo semeado
em lábios de chumbo
como a poesia melancólica
das paredes de uma livraria
sentia-te dentro de mim
em flores de inverno
das tuas guelras se
transformam as palavras
e as tuas palavras
simples gargantas ao
abismo térreo,
Sentir-te no meu peito
que procura nas sombras o desejo
lágrimas e pequenas
voláteis sílabas mergulhadas nos teus seios cereja adormecida
o preto transformar-se-á
em dia
e do branco tua pele
sedosa e meiga
acordará a noite
em prazeres de insónia,
Sentir-te como pedaços de
papel
ainda virgens os livros
por escrever
e folheias páginas
brancas
céus crispados na língua
suspensa no meu pescoço imensurável
ausente como as canções
que a Primavera deixa cair sobre as árvores...
e afugenta os pássaros da
paixão.
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