saberás que ainda existo
eu
disfarçado de insónia
dormindo solitariamente debaixo do teu
cabelo
olho-os
são os teus lábios de melancolia que
ornamentam as minhas mãos tristes
mórbidas
olho-os
são os teus seios embrulhados nas flores
doiradas das atmosferas inventadas pela solidão
eu
saberás que ainda existo
que tenho fome
como-as (as horas) aos insignificantes
relógios de pulso mergulhados na neblina
eu
que ontem percebia as andorinhas
conversava com as gaivotas
e quando atravessava o Tejo...
olhava-as
as coxas tuas como cavernas traçadas no
xisto cinzento dos sonhos encarnados...
saberás que existo?
as noites horas
sem estrelas
janelas
ruas e ruelas
calçadas
e rios embriagados pelo incenso do teu
corpo húmido outrora em tons de negro
como as rochas
quando se extingue a maré
quando tu te extingues
e procuras-me nas migalhas do jantar
saberás que ainda existo
eu? o homem de vidro com cabeça de seara
planetária... sobre os alicerces do inferno...
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