Conheço um poeta que anda
muito triste e com a vida do avesso. Ontem, a meio da tarde, o meu amigo poeta
resolveu ir ao café para saborear a solidão de uma chávena pincelada de açúcar.
Antes de entrar no café o
poeta passa por dois caninos, muito ranhosinhos, mas nem todos podemos ser
lindos e esbeltos depois de uma tarde de ginásio,
Cumprimentei-os,
Nem uma nem duas,
Ambos os dois antipáticos
e anti-sociais, como
O poeta,
O poeta pensou que talvez
os caninos não gostassem dele, como a maioria das pessoas, ou por outra razão
não aparente
Quando o poeta percebeu
Já um dos caninos lhe
tinha desenhado na perna esquerda,
O sol.
O poeta tomou café, saiu,
acendeu um cigarro
Pega na garrafa de água
mineral, dá um pequeno gole
E é aconselhado a ir ao
centro de saúde.
E assim foi,
Meto-me no carro,
direcção Castedo-Alijó, e desaguo no centro de saúde,
E que foram muito simpáticos,
identifiquei-me, recolheram os meus dados, a funcionária
Um cão, Luís? Dois, mas
apenas um teve a ousadia de morder.
Alguns minutos depois, a
médica entra na sala de espera
O senhor do cão? Fiquei envergonhado,
ergui-me muito devagarinho,
E entrei no corredor de
acesso aos gabinetes médicos,
Mas antes senti que todas
as pessoas da sala de espera,
Procuravam o cão no meu corpo.
As perguntas do costume,
é alérgico a
Já tomou a vacina contra
o tétano há muito tempo,
Senhora enfermeira,
Dê-lhe um reforço. Fui reforçado.
O poeta saiu do edifício,
sentou-se nas escadas e fumou um cigarro,
O meu amigo poeta
pensava,
Porque carga de água o
cão lhe tinha ferrado os dentes na perna esquerda,
Por ciúmes?
Por vingança depois de
saber que o poeta tinha roubado os sonhos do seu grande amor,
Porquê?
Como dizem que penso
demais e que sou tolo e que…
O poeta acredita que os
dentes caninos desenhados na sua perna esquerda,
Foi um sinal divino.
Acredito.
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