31 outubro 2024

O poeta e o canino

 

Conheço um poeta que anda muito triste e com a vida do avesso. Ontem, a meio da tarde, o meu amigo poeta resolveu ir ao café para saborear a solidão de uma chávena pincelada de açúcar.

Antes de entrar no café o poeta passa por dois caninos, muito ranhosinhos, mas nem todos podemos ser lindos e esbeltos depois de uma tarde de ginásio,

Cumprimentei-os,

Nem uma nem duas,

Ambos os dois antipáticos e anti-sociais, como

O poeta,

O poeta pensou que talvez os caninos não gostassem dele, como a maioria das pessoas, ou por outra razão não aparente

Quando o poeta percebeu

Já um dos caninos lhe tinha desenhado na perna esquerda,

O sol.

O poeta tomou café, saiu, acendeu um cigarro

Pega na garrafa de água mineral, dá um pequeno gole

E é aconselhado a ir ao centro de saúde.

E assim foi,

Meto-me no carro, direcção Castedo-Alijó, e desaguo no centro de saúde,

E que foram muito simpáticos, identifiquei-me, recolheram os meus dados, a funcionária

Um cão, Luís? Dois, mas apenas um teve a ousadia de morder.

Alguns minutos depois, a médica entra na sala de espera

O senhor do cão? Fiquei envergonhado, ergui-me muito devagarinho,

E entrei no corredor de acesso aos gabinetes médicos,

Mas antes senti que todas as pessoas da sala de espera,

Procuravam o cão no meu corpo.

As perguntas do costume, é alérgico a

Já tomou a vacina contra o tétano há muito tempo,

Senhora enfermeira,

Dê-lhe um reforço. Fui reforçado.

O poeta saiu do edifício, sentou-se nas escadas e fumou um cigarro,

O meu amigo poeta pensava,

Porque carga de água o cão lhe tinha ferrado os dentes na perna esquerda,

Por ciúmes?

Por vingança depois de saber que o poeta tinha roubado os sonhos do seu grande amor,

Porquê?

 

Como dizem que penso demais e que sou tolo e que…

O poeta acredita que os dentes caninos desenhados na sua perna esquerda,

Foi um sinal divino.

Acredito.

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