O que sabem vocês de amar
Livremente,
Livre. O que sabem, vocês?
Pois o poeta também não o
sabe…
Aliás, o poeta que não é
poeta, pouco ou nada sabe. Percebe um pouco de nada
E o restante
É paisagem.
Como tudo na vida. Como tudo
Depois da morte anunciada
num pequeno livro de poemas,
Chegava a casa,
E a casa vazia e fria e
tão escura…
Chegava a casa. Acorrentava-se
a um fio de luz que desesperadamente saia de um objecto estranho
Que apelidaram,
De candeeiro. Estava frio,
pegava num livro, abria-o
E procurava pessoas para
mais tarde, quando já fosse noite concretizada, conversar.
E conversávamos até quase
manhã,
Depois de perceber que
ainda não foi desta que a minha mãe tinha deixado de respirar; pegava num
cigarro
E,
Talvez amanhã.
Cansado, me sinto sentado
dentro deste pedaço de silêncio, que
Todas as noites me visita.
Oiço a tua voz mergulhada na inocência do olhar
De uma criança. Até que o
mar
Entra pela janela,
E leva a criança para
brincar,
E a criança saboreia o
sorriso mais belo,
Deste pequeno livro de histórias.
O que me preocupa,
É mesmo quando morrer,
Não saber,
O motivo por que estive
vivo.
Até hoje, 31/10/2024,
vinte e duas e vinte e três,
Não sei o que vim fazer
ao planeta terra e arredores.
Deus vos abençoe, meus
filhos
E que seja um menino
Para ficar a tarde
inteira,
A vigiar uma bomba
mecânica e uma cuba de fermentação…
Depois,
O que sabem vocês de amar
Livremente,
Livre. O que sabem, vocês?
Eu, não o sei.
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