31 outubro 2024

Aliás, o poeta que não é poeta

 

O que sabem vocês de amar

Livremente,

Livre. O que sabem, vocês?

Pois o poeta também não o sabe…

 

Aliás, o poeta que não é poeta, pouco ou nada sabe. Percebe um pouco de nada

E o restante

É paisagem.

Como tudo na vida. Como tudo

Depois da morte anunciada num pequeno livro de poemas,

Chegava a casa,

E a casa vazia e fria e tão escura…

 

Chegava a casa. Acorrentava-se a um fio de luz que desesperadamente saia de um objecto estranho

Que apelidaram,

De candeeiro. Estava frio, pegava num livro, abria-o

E procurava pessoas para mais tarde, quando já fosse noite concretizada, conversar.

E conversávamos até quase manhã,

Depois de perceber que ainda não foi desta que a minha mãe tinha deixado de respirar; pegava num cigarro

E,

Talvez amanhã.

 

Cansado, me sinto sentado dentro deste pedaço de silêncio, que

Todas as noites me visita. Oiço a tua voz mergulhada na inocência do olhar

De uma criança. Até que o mar

Entra pela janela,

E leva a criança para brincar,

E a criança saboreia o sorriso mais belo,

Deste pequeno livro de histórias.

 

O que me preocupa,

É mesmo quando morrer,

Não saber,

O motivo por que estive vivo.

Até hoje, 31/10/2024, vinte e duas e vinte e três,

Não sei o que vim fazer ao planeta terra e arredores.

 

Deus vos abençoe, meus filhos

E que seja um menino

Para ficar a tarde inteira,

A vigiar uma bomba mecânica e uma cuba de fermentação…

 

Depois,

 

O que sabem vocês de amar

Livremente,

Livre. O que sabem, vocês?

 

Eu, não o sei.

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