Um círculo de espuma
no centro sombrio de uma
tela mergulhada em insónia
junto à fronteira que
separa a noite do dia
o mar rasurado
misturando-se em lágrimas e pequenos silêncios de papel...
e de um sofá submerso em
sonhos pincelados de sal... ouve-se o gato “Orlando” em gemidos de sono,
Ele inventa a madrugada
sobre os telhados de Lisboa
e pinta nas manhãs de
neblina a paisagem invisível do rio envergonhado
atravessado por uma ponte
rabugenta
enferrujada pelo vento
das nortadas entre despedidas e desejadas barcaças
derramando a solicitude
em palavras abstractas e insignificantes,
O desejo em tua felina
pele voando sobre as árvores do Tejo
confunde-te com gaivotas
e pernaltas em pétalas de açúcar
barcos apaixonados
e astronautas
e no final do dia
dizes-me que no Sábado vais ficar ausente de mim,
Habituei-me às tuas
garras sobre o meu peito em papel-cartão
marinheiro tu saboreando
sorvetes de chocolate como broches na lapela do mendigo artista
dormindo sobre a calçada
e desenhando nos teus tornozelos as equações trigonométricas da paixão
e procurando ângulos no
negro quadro separando a parte real da parte imaginária
os números complexos em
ti descendo o corpo do círculo de espuma,
Estás nua
geada de sémen em
migalhas de areia
correndo esquinas e
travessas em madeira
pilares e vigas
e sorriso algum emerge
dos teus lábios de cidade adormecida... vadia e prostituta.
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