Um beijo que o silêncio
madrugada
Afaga na escuridão da
ausência,
As silabas estonteantes
do sono
Que adormecem nas velhas
esplanadas junto aos rochedos,
Vive-se acreditando na
miséria do sonho
Quando lá fora, uma
árvore se despede da manhã,
Um beijo simples,
Simplificado livro na mão
de uma criança,
Um beijo,
No desejo,
Sempre que a alvorada se aprisiona
às metáforas da paixão,
Sinto,
Sinto este peso obscuro
no meu coração,
Sinto o alimento
supérfluo da memória
Quando as ardósias do
amanhecer acordam junto ao rio…
E na fogueira,
Debaixo das mangueiras…
Os teus lábios me
acorrentam ao cacimbo,
Sou um esqueleto
tríptico,
Um ausente sem memória
nas montanhas do adeus,
Um beijo que o silêncio
madrugada
Afaga na escuridão da
ausência,
A uniformidade das
palavras
Que escrevo na tua boca,
Sempre que nasce o sol
Sempre que acordam as
nuvens dos teus seios…
E um barco se afunda nas
tuas coxas,
Oiço o mar,
Oiço os teus gemidos na
noite de Lisboa…
Sem perceber que és
construída em papel navegante…
Que embrulham os livros
da aflição,
Um beijo, meu amor,
Um beijo em silêncio
Galgando os socalcos da
insónia…
Vivo,
Vive-se…
Encostado a uma parede de
vidro
Como leguminosas no prato
do cárcere…
Alimento desperdiçado por
mim.
Desamo.
Fujo.
Alcanço o inalcançado…
E morro.
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