Fui crescendo como uma
erva daninha
percorri oceanos
invisíveis com bonecos de pedra
fui ouvindo vozes
misturadas com débeis amanheceres
em lábios de gaivotas
cansadas
fui crescendo
fui habitando o teu corpo
de espuma
que dorme num cubo de
vidro
fui teu
fui dele
fui...
vou sem regressar voando
sobre os teus cabelos de amêndoa...
fui crescendo até que o
amor me aprisionou aos teus abraços de água salgada,
Fui mendigo dormindo na
calçada
fui poeta sem escrever
leitor
carcereiro onde havia
livros em prisão perpétua...
Fui poeta
leitor desgovernado
debaixo dos plátanos emagrecidos
fui banco de jardim onde
te sentaste
e beijaste
a mim
crescendo,
Fui habitante do teu
coração
onde brincávamos com as
palavras das marés de Sábado à noite
fui crescendo
crescendo...
sem escrever no teu corpo
versos de cacimbo
entre o som dos mabecos e
os pobres telhados de zinco...