a videira sangra o beijo
na sua boca tem mil primaveras entre sílabas e mortos
que têm medo que alguém se disfarce de sonâmbulo quando a noite é uma cabra de
insónia com sabor a chocolate
a videira conhece cada socalco de desejo que aponta os braços para o rio douro
o poeta não se confunde com as palavras
o poeta ama as palavras e só tem janelas para o rio
a videira é lágrima quando a primavera se masturba no próximo apeadeiro de luz
o comboio é um sorriso lindo e só tem uma palavra na ponta do silêncio...
a linha férrea cessa de amar
porque a videira o súplica e lança para a lua pedacinhos de espuma...
os barcos não amam mais este oceano
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