11 abril 2024

A gata que toca piano

A gata que toca piano, uma lágrima de olhos vendados, em despedida no rosto da noite

uma madrugada, que é apenas uma palavra,

a fome que é a insónia, que é o desejo da gata que toca piano.

 

A minha mão que não escreve anda.

A flor que é drogada pela luz da manhã, o jardim que acredita ser o mar, e o mar

faz-lhe a vontade, e diz-lhe quão lindas são as suas ondas,

que uma criança apelidou de árvores.

 

O dia que sofre o frio do pólen que é lançado à água pelo comandante deste navio, deste minuto de silêncio em honra da minha voz

os poemas que se suicidam nos teus olhos.

 

O piano agradece os aplausos dos espectadores, a gata, coloca a mão no peito e baixa a cabeça em sinal de agradecimento

se o vento voltar, levará o teu cabelo.

 

Se o vento voltar

o jardim deixará de ser o mar,

e as suas ondas,

serão as estrelas do teu olhar…

 

Se o vento voltar, às lágrimas deste piano.

 

(11/04/2024 – Francisco)

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