15 março 2024

Poema aleatório

(este poema já existia)



O meu jardim está de luto,

morreram todos os meus livros, todos.

Meu grande amigo, amanhã, sábado, a navalha da solidão vai alicerçar-se no meu peito,
sinto os cigarros que me assombram ao cair da noite,
e vou morrer…

E, cresce a tarde na tua boca.
O peso do corpo na balança da solidão,
regressa a morte,
e, levantam-se do chão.

É a mesma com que acaricio as veias das palavras,
um narciso, chora,

A navalha com que assassinaste os meus límpidos lábios,

calcinado, as andorinhas em flor.
Um narciso, chora.

Vadios,
em liberdade.

A água da paixão, no tanque da saudade.
Deixa as árvores voarem sobre a aldeia,

como pássaros em cio,

 

não.
Claro que não.

Nunca me ouves.
Nunca me abraçaste como abraças o meu silêncio,

uma carta fica suspensa na mão do carteiro; amas-me?

 

O amor é uma merda.

 

Poucas e apaixonadas,
procuram, embriagadas,

Como eu,
e, as palavras minhas,

as noites cansadas…

 

Só.
Só.

E sinto o mar dentro de mim.

Como eu,

no amor teu.

 

(orgasmo literário)

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