15 março 2024

Espero-te

 

Espero-te no zimbro da noite, oh amor que me transportas nos teus olhos e me levarás até ao mar.

Espero-te nesta noite acabada de desenhar, que aos poucos foi crescendo na minha mão, agora que levita como levita o teu cabelo,

quando desce o luar à planície.

 

Nascem flores, nos teus olhos,

e são tão lindas e são tão lindos,

meu amor;

as flores e os teus olhos…!

 

Espero-te na mendicidade do meu corpo, de sofrer com o veneno da página trinta e três deste livro, e que diz:

 

Página trinta e três:

 

O amor precisa de palavras.

 

Espero-te na mendicidade do meu corpo, encontro as cordas sobre a mesa, o talhar, a toalha, o prato, os pequenos retalhos da minha tristeza.

Espero-te acreditando que a insónia é uma esplanada junto ao mar, que é um pedaço de silêncio, na sombra da noite,

Nos lábios do dia.

 

Espero-te.

 

 

(orgasmo literário)

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