14 março 2024

Navio



Este navio começa a afundar-se lentamente neste oceano de tristeza e de palavras.

Sou o comandante, sinto a cada minuto que passa que ele desfalece, e aos poucos começa a levitar em direcção ao centro da terra.

 

Um túnel de silêncio sei que me abraça, e nos seus olhos transporta a imagem tranquila do meu pai,

Sorri.

E eu, viro as minhas lágrimas para a mesinha-de-cabeceira e escondo-me do meu pai;

Porque o faço?

Por vergonha.

 

Cada vez são mais as palavras, cada vez são menos as flores de papel, dentro deste poço de insónia, pego num grama de medo…

Sou puxado, aos poucos, para a caverna que está no fundo do oceano, distante, tão distante do sol.

Tão distante, a cada dia que passa, dos teus olhos.

 

Este navio já não me pertence,

E neste momento,

Já nem os cigarros me dão prazer.

 

 

(orgasmo literário)

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