10 fevereiro 2024

RANHOSA!

 

Ainda a insónia é uma criança

RANHOSA

A prosa

A raposa

E o javali.

 

Estou muito doente

Doente muito

Aqui

Tenho um cancro literário

Um linfoma poético

Cataratas na ponta dos dedos

Tudo isto

Dá-me jeito para a reforma

Invalidez

Sólido

Líquido

Gasosa argumentaria

Lunático

Precário

És tão sádico.

 

Palerma da criança.

Esperma à nascença.

 

Corpo decente

Dente

Do sizo ao luar

A distância é um perigo

Para aqueles que amam

Para aqueles que odeiam

Aquilo que eu digo.

 

Perplexa

A dona Alexa

Irritante

Que mente

Com dente

Sem dente

Esta doença grave que me afecta

Doença marota

Em corridas de motorizada.

 

Amanhã é dia de cozido

GORDO o domingo

Hoje é dia de premiados

Finados

Que esperam o erguer da madrugada,

 

Nada.

 

Sempre disse aquilo que eu queria dizer

E sempre disse tudo aquilo que eu queria…

Gritar,

Quando chove,

Quando morre o relógio

Na palma da mão.

 

RANHOSA

Esta prosa

Este poema

Estes versos,

São ranhosos.

 

Já não mora

Aqui

Já não come

Ali

Senta-se em cima da ponte

E medita na cânfora despedida

E vende a mesa da cozinha.

 

Sou a paz

Sou o sonho

RANHOSO

Simplificado por um pente,

Com sabor a limão.

 

Dá-me a tua mão

Rapariga

Chofre

De chofre

Me perdi nos teus olhos

Zarolha

Milho ganso da manhã,

Grita o pato,

Grita a galinha

E grita a mamã…

 

Eu vi.

Eu si.

No teu peito.

A espada de esperma que o guerreiro lançou contra o vento

Bélico descanso

Junto às pernas travestidas de gato.

 

Um sapato é meu.

O outro sapato é teu.

Temos dois sapatos

E nenhum de nós sabe quem os deu.

 

Tadeu.

Atadinho do menino

Descalço

Sozinho

RANHOSO

Vigoroso

Este desgoverno de governar

Um par de sapatos.

Sem atacadores.

 

Meus filhos

São doutores

As minhas filhas

Engenheiras,

E nas horas de descanso…

Também são parteiras.

 

Ainda a insónia é uma criança

RANHOSA!

 

 

10/02/2024

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