Ainda a insónia é uma
criança
RANHOSA
A prosa
A raposa
E o javali.
Estou muito doente
Doente muito
Aqui
Tenho um cancro literário
Um linfoma poético
Cataratas na ponta dos
dedos
Tudo isto
Dá-me jeito para a
reforma
Invalidez
Sólido
Líquido
Gasosa argumentaria
Lunático
Precário
És tão sádico.
Palerma da criança.
Esperma à nascença.
Corpo decente
Dente
Do sizo ao luar
A distância é um perigo
Para aqueles que amam
Para aqueles que odeiam
Aquilo que eu digo.
Perplexa
A dona Alexa
Irritante
Que mente
Com dente
Sem dente
Esta doença grave que me
afecta
Doença marota
Em corridas de motorizada.
Amanhã é dia de cozido
GORDO o domingo
Hoje é dia de premiados
Finados
Que esperam o erguer da
madrugada,
Nada.
Sempre disse aquilo que eu
queria dizer
E sempre disse tudo
aquilo que eu queria…
Gritar,
Quando chove,
Quando morre o relógio
Na palma da mão.
RANHOSA
Esta prosa
Este poema
Estes versos,
São ranhosos.
Já não mora
Aqui
Já não come
Ali
Senta-se em cima da ponte
E medita na cânfora
despedida
E vende a mesa da cozinha.
Sou a paz
Sou o sonho
RANHOSO
Simplificado por um
pente,
Com sabor a limão.
Dá-me a tua mão
Rapariga
Chofre
De chofre
Me perdi nos teus olhos
Zarolha
Milho ganso da manhã,
Grita o pato,
Grita a galinha
E grita a mamã…
Eu vi.
Eu si.
No teu peito.
A espada de esperma que o
guerreiro lançou contra o vento
Bélico descanso
Junto às pernas
travestidas de gato.
Um sapato é meu.
O outro sapato é teu.
Temos dois sapatos
E nenhum de nós sabe quem
os deu.
Tadeu.
Atadinho do menino
Descalço
Sozinho
RANHOSO
Vigoroso
Este desgoverno de
governar
Um par de sapatos.
Sem atacadores.
Meus filhos
São doutores
As minhas filhas
Engenheiras,
E nas horas de descanso…
Também são parteiras.
Ainda a insónia é uma
criança
RANHOSA!
10/02/2024
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