08 fevereiro 2024

Mulher luar

 

O café sempre azedo

Os cigarros sabem a suicídio

E a corpos mutilados

E não há açúcar que lhes valha,

 

O meu corpo é um café

É um cigarro mutilado

É um corpo suicidado

É poesia,

 

É pedra lapidada

Diamante falso

É madrugada,

 

Sempre azedo

O café

E o meu corpo

E os meus poemas,

 

Toca a corneta do silêncio

O meu corpo e outros corpos

Desfilam na parada do medo,

E o café sempre azedo,

Frio,

Mutilado e em suicídio,

 

O café frio

Uma pedra de sono da noite anterior,

Acorda,

Uma teia de aranha na minha mão,

Um vazio…

O meu coração,

 

A vida é o cosmos,

É a paixão de nada ter,

Ser,

Frio o café,

Azedo,

Antes que alguém me grite…

Amanhã será,

Tudo menos café azedo

E frio

E mutilado,

 

E suicidado contra o teu olhar,

 

Amanhã não sei se cá estou,

Posso morrer hoje,

Mais logo ou daqui a pouco…

Ou junto à noitinha,

E suicidado no teu olhar,

 

O café frio, azedo…

De mulher luar!

 

 

08/02/2024

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