11 fevereiro 2024

Cubo mágico

 

Ponho-me em maginações

Com os botões da minha breguilha

E se eu ao menos fosse mágico!

 

Se eu fosse um pirilampo mágico

Daqueles que se vendem nas tabacarias

E afins

Numa qualquer agência funerária

Perto de si.

 

Lérias.

Batatas com bacalhau para o almoço

Grão-de-bico para o jantar

Ponto final

 

Mar.

Pífio

Fio de nylon enforcado com uma mão

E com a outra

Fuma descansadamente

E sorri

E vi

Quando li

Que há marinheiros de cartolina

Como as luzes da madrugada

Em cio.

Que puta de sina!

 

O calcário da água

A máquina de lavar loiça

Avariada

A chuva não pára de bater na vidraça

Na mão tenho vidros

Nos vidros tenho palavras

Janelas

Portadas.

 

Ponho-me em maginações

Com os botões da minha breguilha

E se eu ao menos fosse mágico!

 

Se eu ao menos fosse um CUBO

UM CUBO MÁGICO!

 

 

11/02/2024

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