Não sei o que te
escrever, não sei que palavras escolher para te enviar, quando desejo pegar na
tua mão e ficar escondido do Sol a ver passear o mar.
Não sei porque estou
aqui, meu amor.
Não o sei,
Sentado. Não sei o que te
escrever, e até desconfio que não sei escrever, que não tenho palavras
suficientes para te enviar,
Quando a lua vestida de
oiro, quando a lua cortada em quatro pedacinhos, é apenas uma imagem de ti, e
dos teus lábios, quando o sorriso desperta no teu rosto de amêndoa.
Não sei porque sou eu,
quando devia ser outro a escrever-te, mas Deus incumbiu-me
De te escrever,
E serei eu, e serei eu
apenas aquele que te escreve,
Mas sei o que te enviar,
Não sei o que te
escrever, meu amor, quando o mar que vejo passear me parece uma laranja cortada
em quatro pedacinhos.
De coisa alguma.
De coisa de nada.
Não sei o que te
escrever, meu amor, não sei que palavras inventar para descrever a tua beleza,
de Galáxia adormecida ou de nave espacial.
E todos os planetas do
sistema solar vêm em nosso auxilio, vêm a nós e com eles as prometidas
palavras, que eu não tenho, para te escrever,
As tuas mãos, meu amor,
se as tuas mãos escrevessem no meu rosto cartas de amor,
Palavras proibidas,
simples palavras, palavras minhas, que eu não tenho, meu amor,
Peço-te perdão por não
ter palavras para te enviar…
Quando daqui a pouco é
dia, quando daqui a pouco acorda a primeira lágrima da manhã, no teu rosto, o
incêndio, o desejo,
Não tenho palavras para
te escrever,
Nem sei o que te
escrever.
Não sei o que te
escrever, e, no entanto, sinto-me leve, solto de amarras e liberto de todo o
sistema solar, o ausente, quele que não tem palavras, para te enviar, meu amor.
Às vezes pareço uma
estátua, de velho granito, de frio, no silêncio da noite, quando pego na tua
mão invisível, e coloco-a no meu peito, depois…
Ficamos lá, sós.
Não sei o que te
escrever, não sei. E tantas palavras que eu tinha para te enviar, tantas,
tantas,
Agora,
Não.
Não tenho palavras para
te enviar. Deixei de ver o sol e de ver o mar a passear, deixei de ouvir música
e comecei a ouvir poesia,
Se ao menos, meu amor, se
ao menos gostasses de poesia,
Ficavas nos meus braços a
ouvir Herberto Helder, mas tu detestas poesia, e adoras os meus braços,
Que hei-de eu
escrever-te, quando a noite treme de frio, quando no silêncio de uma casa,
nasce uma criança,
Não sei meu amor,
Não sei o que te
escrever, hoje, sábado de madrugada,
No silêncio das tuas
mãos, as palavras, não sei o que te escrever,
Meu amor,
Quando vejo passear o
mar.
18/11/2023
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