Serei pó, serei lápide,
tanta coisa, que eu posso ser.
Serei pão, porque não,
Serei bebida alcoólica, e
poema ao mesmo tempo, serei moca,
Pedra
E cólica
Sem sentimento.
Serei pó, serei a palavra,
a minha e a de Deus,
Serei janela, serei o mar
vestido de janela, quando olha a lua travestida de névoa-azul.
Serei gaja, gajo vestido
de gaja, serei pássaro, poeta e afins, serei o pedreiro trabalhando o granito,
escrevendo no granito as lágrimas de sua amada,
Sonâmbula,
Exige-se respeito, na
solidão do dia
As cabras, perderam-se no
monte, as pedras fitam as cabras depois dos filhos das pedras, morrerem de
tédio a coçar os tomates, olhando as cabras.
Serei angustia no teu
peito, fragância na tua mão, serei poema disfarçado de aldabrão, e de tudo ou
nada, a sinfonia entra na sala, os músicos sentam-se junto à lareira, e um muro
de pedra desata em lágrimas,
Aldrabão…!
Serei piolho, porque não,
tão espertinho, e tão aldrabão, a cidade em chamas, as mulheres desta cidade,
em lágrimas, que não chegam para apagar as chamas desta cidade.
Serei um livro. Um livro
de poesia.
Serei casa, com muitas
janelas, com muitas crianças, com muitos… barcos
De brincar
E alegria
Serei pó, serei
sem-abrigo, serei canção,
Melodia
Sem amigo.
Serei uma pedra, uma
laje, serei um telhado preparado para o vento,
Serei
Equação,
Número primo,
Serei pedra,
Serei menino…
Serei alimento.
Serei tudo o que tu
quiseres, meu amor, fascista é que não.
27/11/2023
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