quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A paixão dos peixes


Procuro-te sabendo que não existes
e que pertences às palavras mórbidas
que as noites de Inverno inventam
e fazem-nos sonhar
que amamos a chuva
e o luar,

Procuro-te entre os muros pintados de branco
com letras negras
e flores amarelas
procuro-te sem perceber porque te escondes de mim
e escondes as cartas abstractas que deixamos adormecer na saudade
dos pinheiros mansos do recreio da escola,

Procuro-te sabendo que te escondes das ditas conversas de café
quando uma simples mesa com pernas de madeira
tropeça nas sílabas divinas que o teu corpo transpira
e lança contra as lindas e amargas moscas de incenso...
as varandas do eterno amor desejado
e perdes-te de mim sem perceberes os destinos adormecidos do sangue,

A carne apodrece
e os ossos do amor nas tuas mãos envergonhadas
que Deus deixou para mim à porta do abismo sonho
e uma dor apodera-se do meu peito submerso na paixão dos peixes
há pontes entre nós incompletas defeituosas e ausentes
como todas as histórias,

Como todos os sinceros morcegos das noites quentes
caem as estrelas sobre o mar
e comem todos os barcos de amar
e dizem que eu procuro fantasmas
nas letras cansadas do muro pintado de branco
como as coisas belas do teu corpo inexistente triste ausente,

Todas as pedras do amor com flores de vidro
procuro-te sabendo que pertences às sombras infinitas das equações diferenciais
mesmo sabendo que poderás estar dentro de uma integral tripla
não sei
se algum dia pegarei na tua mão
e numa ardósia de fim tarde escrever – AMO-TE.

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha

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