17 setembro 2026

Lua

Estava o sol 

Cansado de amar a lua,

E aos poucos cansou-se de sonhar 

Com a lua,

E numa bela noite, o sol 

Acordou, e pensou:

Que se foda a lua.


17/07

23:23

Milagre,

A fruta, podre

É hoje, rica, fruta.

 

17/9
21:18

Preciso da chuva dos teus cabelos!

Preciso da chuva dos teus cabelos, no vento

Sentido, do vento, às vezes, também ele ferido

Triste e humilhado, talvez o vento, um dia

Seja apenas e só, poesia

Talvez ao outro, dia

O dia me traga um novo dia, um novo

Olhar.

 

Preciso da chuva dos teus cabelos, no vento

Sentido, do vento, às vezes

E que tantas vezes, é a lágrima no final da luz,

E em cada buraco negro, uma mão aprisionada, pelas

Forças, meus deus…

Forças ocultas, invisíveis, mas que existem,

Existem.

Preciso da chuva dos teus cabelos, na penúltima

Janela com fotografia,

Para o mar.

 

Preciso da chuva no mar dos cabelos, teus

Preciso que esta viga me segrede, alguma, coisa

Nem que seja, um gemido

Gemido, há quanto tempo, não oiço

Um gemido,

Mas esta viga, nunca

Nunca nada me dirá,

Porque nas simulações e nas complexas, equações

Nem um, gemido, para amostra.

E ela ao fim de dozes, segundos,

Colapsa e morre.

 

Preciso da chuva dos teus cabelos, quando a maré

Vínica incendeia a luz, sobre o rio

E cada socalco, é o sofrimento, de mãos

E de mares,

E de tantas tristezas, e de tantos

Olhares,

 

Preciso da chuva dos teus cabelos!

 

17/09
11:36

Terra amada

Escrevo-te este poema envenenado, que é a cicuta

Do meu existir, do fim e do recomeço

Da esperança, vencida

E disparada pela mão do silêncio,

Escrevo-te este poema envenenado,

Quase sangue, quase cinza, do meu cigarro.

 

Escrevo-te este poema envenenado, triste

Como está a ser, este dia

E cada palavra, escrita, pensada

É a enxada, e a louca espada

Poisada sobre o peito, à procura

Da terra semeada, da terra amada.

 

17/09
11:08

Babilónia

Babilónia, qualquer coisa

que me recorda a visão sonora da tempestade,

em direcção, ao abismo, do sincero

amanhecer diurno, e saturno, e além-mar

dança, o vento, dança

babilónia, qualquer coisa

que me recorda, um livro em lágrimas

qualquer coisa, além-mar, as cartas ao léu

no purgatório, ou no céu.

 

Babilónia, qualquer coisa acorrentada

e amordaçada, aos lábios, e sábios

adamastores da nação, uma espada, em cada mão

e na boca, o cigarro suspira, vomita o ardume nocturno

da maré quase, quase azoto

qualquer coisa, longe

além-mar, ao léu

as cartas,

ou apenas um álbum musical.

 

17/09
00:53

16 setembro 2026

Vindima

É vindima nos teus seios,

Cada folha, quase outonal, na cor

E no perfume,

 

A água que brota deles, fresca, na minha boca

É como o acordar, no Inverno, e

Escancarar a janela,

Olhar o mar,

 

E sentir a vindima dos teus seios,

Da uva milenar, e do rio, ao longe, me olhando

É vindima nos teus seios, os teus seios, chorando.

 

16/09
20:50

SAMBA PA TI - SANTANA