Estava o sol
Cansado de amar a lua,
E aos poucos cansou-se de sonhar
Com a lua,
E numa bela noite, o sol
Acordou, e pensou:
Que se foda a lua.
17/07
23:23
Estava o sol
Cansado de amar a lua,
E aos poucos cansou-se de sonhar
Com a lua,
E numa bela noite, o sol
Acordou, e pensou:
Que se foda a lua.
17/07
23:23
Preciso da chuva dos teus
cabelos, no vento
Sentido, do vento, às
vezes, também ele ferido
Triste e humilhado,
talvez o vento, um dia
Seja apenas e só, poesia
Talvez ao outro, dia
O dia me traga um novo
dia, um novo
Olhar.
Preciso da chuva dos teus
cabelos, no vento
Sentido, do vento, às
vezes
E que tantas vezes, é a
lágrima no final da luz,
E em cada buraco negro, uma
mão aprisionada, pelas
Forças, meus deus…
Forças ocultas, invisíveis,
mas que existem,
Existem.
Preciso da chuva dos teus
cabelos, na penúltima
Janela com fotografia,
Para o mar.
Preciso da chuva no mar
dos cabelos, teus
Preciso que esta viga me
segrede, alguma, coisa
Nem que seja, um gemido
Gemido, há quanto tempo,
não oiço
Um gemido,
Mas esta viga, nunca
Nunca nada me dirá,
Porque nas simulações e nas
complexas, equações
Nem um, gemido, para
amostra.
E ela ao fim de dozes,
segundos,
Colapsa e morre.
Preciso da chuva dos teus
cabelos, quando a maré
Vínica incendeia a luz,
sobre o rio
E cada socalco, é o sofrimento,
de mãos
E de mares,
E de tantas tristezas, e
de tantos
Olhares,
Preciso da chuva dos teus
cabelos!
17/09
11:36
Escrevo-te este poema
envenenado, que é a cicuta
Do meu existir, do fim e
do recomeço
Da esperança, vencida
E disparada pela mão do
silêncio,
Escrevo-te este poema
envenenado,
Quase sangue, quase
cinza, do meu cigarro.
Escrevo-te este poema
envenenado, triste
Como está a ser, este dia
E cada palavra, escrita,
pensada
É a enxada, e a louca
espada
Poisada sobre o peito, à
procura
Da terra semeada, da
terra amada.
17/09
11:08
Babilónia, qualquer coisa
que me recorda a visão
sonora da tempestade,
em direcção, ao abismo,
do sincero
amanhecer diurno, e
saturno, e além-mar
dança, o vento, dança
babilónia, qualquer coisa
que me recorda, um livro
em lágrimas
qualquer coisa, além-mar,
as cartas ao léu
no purgatório, ou no céu.
Babilónia, qualquer coisa
acorrentada
e amordaçada, aos lábios,
e sábios
adamastores da nação, uma
espada, em cada mão
e na boca, o cigarro
suspira, vomita o ardume nocturno
da maré quase, quase
azoto
qualquer coisa, longe
além-mar, ao léu
as cartas,
ou apenas um álbum
musical.
17/09
00:53
É vindima nos teus seios,
Cada folha, quase outonal,
na cor
E no perfume,
A água que brota deles,
fresca, na minha boca
É como o acordar, no
Inverno, e
Escancarar a janela,
Olhar o mar,
E sentir a vindima dos
teus seios,
Da uva milenar, e do rio,
ao longe, me olhando
É vindima nos teus seios,
os teus seios, chorando.
16/09
20:50