15 julho 2026

vento sentido

ao frio, e ao vento sentido

no rio sofrido do meu viver

não sentir

e não ter

 

uma mão para tocar

ter um corpo onde escrever

e ser

ao frio, e ao vento sentido

 

um amar

para esquecer

e o mar

de ler

 

ao frio, deixou de o ser

sorrir, sentir

o teu corpo a arder

no meu corpo dorido.

 

15/07
04:19

Do teu olhar

Não mais sentirei do teu olhar

A luz diáfana do amanhecer

Que acordava no meu sonhar

E que hoje é a página de um livro a arder,

 

Não mais sentirei o teu cabelo em vento

Que se vestia de mar

E que não se cansava de no meu pensamento

Brincar,

 

Morreu o teu olhar doce do ser

Morreu a tua mão

E a minha vontade em te ver,

 

Não mais sentirei do teu olhar

O silêncio do teu coração

No meu desejo em te amar.

 

15/07
04:11

14 julho 2026

Antimatéria

A antimatéria e a matéria,

 

Trezentos mil quilómetros

Por segundo,

 

A escuridão da morte.

 

14/07
22:12

Ausência

A hora incerta que o livro 

Lança contra os dois solstícios do mar 

Ao longe está o fogo 

Que o livro semeia na alvorada,


Tudo morre na tarde 

Que o dia deseja ser 

A noite vestida de tinta

Quando o mar é dor,


A hora incerta e quase gelo 

Na esquina de um guarda-chuva 

O silêncio 

A ausência, a tua ausência.


14/07

15:23

13 julho 2026

The End. 

Terminou a palhaçada,

Não sou palhaço. 

Flores

As flores padecem de cor

Na ausência da voz secreta do acordar

Sentir a lua e desistir de sonhar

E que sejas amor

 

E o amar

As flores padecem de cor

Sempre que uma lágrima se veste de luar

E desenha nas estrelas a dor

 

Quando o corpo é húmus e é o não ser

Na espuma que traz a razão

De ter

 

As flores padecem de cor

Quando o dia é a escuridão

E a noite esconde o encanto e o odor.

 

13/07
11:40