22 junho 2026

Me dizem os teus olhos, quase que nada me dizem Os teus olhos

Me dizem os teus olhos, quase que nada me dizem

Os teus olhos

Os olhos a quem escrevo, quase que nada me dizem

E nem sei, nada eu sabendo, se os teus olhos lêem o que eu lhes escrevo, no meu insaciável escrever,

 

Me dizem os teus olhos, quase que nada me dizem

O que poderão dizer-me os teus olhos,

Se

Se os teus olhos nem sabem da existência, dos

Meus olhos,

 

Me dizem os teus olhos, que sou um tolo e um louco

Que quase nada me dizem os teus olhos, tão pouco

Os teus olhos ouvem a voz, dos meus olhos

Me dizem os teus olhos, quase que nada me dizem

Os teus

Olhos,

 

Me dizem, me dizem os teus olhos, que nada quase me dizem, a não ser, me olharem

Como se eu fosse um mendigo, um miserável, e

E eu tenho vergonha, medo

Daquilo que os teus olhos me possam dizer, me

Dizem os teus olhos, que quase que nada me dizem

Os teus olhos.

 

22/06
11:34

Tão longe, ao longe a tua mão

Tão longe, ao longe a tua mão

Mais longe ela está, está do outro lado do mar

Está a tua mão tão longe

Longe está a tua mão do meu sonhar

 

Tão longe ela está, está longe a tua mão

Do outro lado do mar ela estará

Está, tão longe que ela está,

Está a mão do meu amar.

 

22/06
11:14

Se eu o soubesse, nada eu sabendo

Se eu o soubesse, nada eu sabendo

Nada,

Se eu soubesse o nome dos teus seios, se eu soubesse

A que sabem os lábios dos teus seios,

 

Se eu soubesse que rio banha os teus seios, meu amor

Se o soubesse, nada eu sabendo

Se eu soubesse a cor dos olhos dos teus seios

Talvez eles sejam o amanhecer,

 

Se eu soubesse, nada eu sabendo

Meu amor, se eu soubesse

Que poema está escrito nos teus seios, de que versos

São feitos os teus seios

 

22/06
11:06

A que sabem as cerejas dos teus lábios

A que sabem as cerejas dos teus lábios, meu amor ausente

O que têm a primavera dos teus lábios

E

Os teus lábios de tão diferente

 

Para eu me encantar

Tanto me encantar

Com a cereja dos teus lábios, meu amor amar

Meu amor e meu mar

 

22/06
10:55

Ausência

Da ausência sentir o ausente e temido, o outro lado do luar

Sentindo, tendo frio

Ser o mar

Ou ser um rio

 

Saber o significado de ser, o outro também ausente

E também temido, nocturno o seja

Cada escrever

E cada sorriso vertido

 

Na lápide do meu amar

Na ausência, o ausente e temido

O outro lado do

Sentindo e o sentir

 

E saber que nunca haverá montanhas em papel

Nem árvores de brincar, nem rios a passear

No silêncio, a correr para o mar

Para o mar ausente

 

22/06
04:37

Nos teus braços eu me deitava, meu amor

Nos teus braços eu me deitava, meu amor

Enquanto a noite se despede das estrelas, eu te beijava

Meu amor, sentados junto ao mar

Pegava na tua mão, e a acariciava

 

Como se fosse uma caneta, ou uma janela

Sentindo o vento, sentido o chorar da lua

Em ti eu me deitava

De ti eu quero o silêncio do teu olhar

 

Nos teus braços eu me deitava, meu amor

E sabia que havia luz na noite do meu sonhar

Sempre que pegasse na tua mão

Para sempre que sejas o meu amar

 

22/06
04:17

21 junho 2026

Natábius

Natábius me amava, enfurecida estava

A canção que que tocava

Que tocava, porque Natábius me amava

Na conversa, nos poemas, debaixo das árvores

 

Natábius me amava, ao ponte de pertencer

Enquanto nunca o foi, ao destino

Ao dispor de uma pequena vírgula, sentindo

No frio a mão de Natábius

 

Que lia, e que me abraçava

Natábius me amava, sofrendo

E quando o queria, descia

E se deitava

 

Porque Natábius, me amava.

 

21/06
22:04