é pedra, pedra na
desejada água
é o odor teu, teus olhos
em dor
que a tua mão me
afoguenta, que a tua mão
lança contra mim a
maldição
01/03/2026, 19:54
é pedra, pedra na
desejada água
é o odor teu, teus olhos
em dor
que a tua mão me
afoguenta, que a tua mão
lança contra mim a
maldição
01/03/2026, 19:54
em pleno voo sobre as
cidades da ausência
esta mão poisada nos teus
lábios
e enquanto procuro o
amanhecer do silêncio
há uma estrela que me
guia para esta caminhada,
há-de regressar a alegria
ao teu cabelo de oiro
jóia da manhã dos
primeiros olhares
que deixou a noite
junto ao sorriso,
em pleno voo
da cidade esculpida pelo
desejo
que a solidão se disfarce
de flor
e a flor se deite na tua
doce boca,
depois
abraço-te e sinto o teu
corpo
(que o vento o quer
levar)
e sinto o teu corpo em
pedacinhos de sono
desprovido das leis da
gravidade e de todas as leis da física…
e abraço-te enquanto o
universo se esquece de nós.
Alijó, 22/01/2023
Francisco
(inédito)
se fossemos dois pontos
de luz, se viajássemos à velocidade
de um beijo
se fossemos dois pássaros
loucos, entre ventos e horizontes desmedidos
se fossemos duas luas,
apaixonadas, nas cores de um de um livro
se fossemos apenas um
silêncio, no teu horrível silêncio
que doi, que cansa, e que
é primavera tempestuosa
se fossemos o mar, e
sorriso do mar
quando acordam as flores
em sua mão
se fossemos um rio em
contramão, se fossemos o dia
e a noite, e a paixão
se fossemos a alegria,
sem dor, e com muito pão
se fossemos apenas um
corpo, um corpo
em desejo que espera pelo
acordar do teu coração
01/03/2026, 07:06
meu sorriso da manhã
que trazes o mar aos meus lábios
que afugentas os meus fantasmas
e me roubas o sono das noites de insónia,
meu sorriso das estrelas sem nome
que poisas no meu peito
que entras no meu peito
onde habita este meu pobre coração,
meu sorriso
das tristes e cinzentas manhãs,
sorriso meu
entre luares de inverno
e esta vida de inferno,
no inferno de desejar
que o mar
e o amar…
sejam o teu sorriso da manhã.
(inédito)
Amar, te tocar
Ao pôr-do-sol na pele tua mão
Amar-te, te olhar
Pincelar os teus seios que também são as palavras que te escrevo
Sementes de sal na flor tarde do mar
28/02/2026, 15:08
O corpo extingue-se nas
lágrimas do fogo
O corpo desaparece
E reaparece
Nos braços da madrugada,
O corpo finge
O corpo grita
Às estrelas de um doce
olhar,
O corpo move-se
Contorce-se
E abraça-se ao vento
Quando o vento regressar
E novamente partir,
O corpo extingue-se
Dentro do teu corpo
sempre que acorda a manhã,
O corpo escreve
Ao meu corpo
As palavras de um outro
corpo,
Frágil
Doce
Meigo
Deste corpo que morre
Neste corpo quando se
deita…
A triste noite ensonada.
(inédito)