26 fevereiro 2026

Um ateu em apuros à espera de um milagre; como se isso fosse possível...

 O que pensas tu sobre isso?

Tudo é estranho, quanto mais miserável estou, quando tudo está a arder, eu

Calmo e sinto qualquer coisa em mim, que vou conseguir. 

Estranho. 


Mas, acreditar em quê, porra.

sem cair

sem cair, sobre a tua pele nua

é a chuva, é a luz diurna de uma lâmina de luar

que sente, e que chora, e que flutua

sobre o sorriso do mar

 

sem cair, nos teus doces lábios do amanhecer

o pólen que vagueia nas alegrias de uma olhar

que é tudo em ti, que de tudo em mim, sem o saber

que pertences ao meu sonhar

 

e ao meu viver

sem cair, na tua mão cansada e às vezes mais triste

do que a lua, do que o querer

 

viver e cardar a cada madrugada

sem cair, o vento agreste e frio e que insiste

que eu sou apenas uma palavra.

 

26/02/2026, 06:23

25 fevereiro 2026

cansaço

é tanto o cansaço, meu amor

mas ainda sinto força para te abraçar, e te ler

alguns versos do Neruda, se tu me escutasses,

 

sem saber se gostas de versos, ou do Neruda

 

como sempre, sem o saber

que apenas sei, que cansado estou

e sinto,

 

que é hoje que a lua me vai dizer,

amo-te.

 

25/02/2026, 21:19

24 fevereiro 2026

primavera

todos somos andorinhas aos olhos da primavera, mas nem todos, somos a primavera aos olhos da chuva

todos somos pássaros num dia de vento, todos

todos somos inverno, em frente a uma lareira acesa, todos o somos,

desejo,

quando acorda o luar, e escreve na alvorada, que a fogueira do teu olhar, nunca se apagará, enquanto eu for um pássaro num dia de vento, enquanto,

enquanto eu for uma andorinha, num belo dia de primavera

 

todos o somos, uns que são amados, que outros

como eu,

somos odiados, e no entanto

tanto,

que todos somos também a luz, enquanto as cerejas dos teus olhos, forem a mais pequena distância,

entre a lua,

e a terra

 

e somos sempre primavera, aos olhos da chuva.

 

24/02/2026, 18:54

desejar-te dentro do poema

desejar-te quando a noite poisa nos teus lábios

desejar-te como o luar deseja a noite

ou como o sol deseja o dia,

desejar-te dentro do poema

quando brinca na poesia,

desejar-te quando já és desejada

nas páginas de um livro

das manhãs de inverno…

desejar-te dentro deste inferno

que acorda em cada madrugada,

desejar-te enquanto és flor

semente semeada

desejar-te neste imenso mar

onde habitam as minhas palavras

onde morre a minha dor

onde escondo as lágrimas de chorar.

 

alijó, 09/01/2023

francisco luís fontinha

(inédito)