15 fevereiro 2026
partida
os míseros contornos que
não é aceitável
sermos palhaços embora
exista uma pequena casa
despida e nua
e também tão cansada
e também abandonada pela
escuridão nocturna
que se despede e que se
reinventa na outra cortina
que arde, e que
em lágrimas parte para
outra terra
longínqua madrugada que
apenas mede as profundezas
de uma ribeira, distante,
ao outro lado do mar
no meu corpo quase
cansaço de uma manhã
que desce, que desce
que desce e que depois é
abraço
e as escadas são espadas
cravadas no silêncio de uma colmeia, e uma porta
quase em mel, do mel
que se do mel, morre.
15/02/2026, 19:33
14 fevereiro 2026
O sono
Se tens sono compra uma enxada
Verte sobre a mesa um vinho copo
Um corpo vinho vestido de lua
Que ainda ontem tinha
Se tens sono compra uma pistola
E dispara para o mar
Se tens sono pega na pistola
Dá um tiro nos cornos
Deixarás de sono ter
Deixarás de ter quem te ame
E deixarás de ver o silêncio de uma seara
E finalmente deixarás de o ser
Um cão algemado também dispara contra o mar
Um colchão de pão
Sem saber
Que o sono é uma outra forma de amar


