09 setembro 2026

Diz o povo que:

Havendo língua e dedo,

Não há mulher que meta medo.

 

Eu, nem dedo.

Não sei, meu amor

Não sei, meu amor

Não sei o nome daquela rua, naquele sítio

Onde brincavam as pedras, e havia uma calçada

E de quem a quem, mais além

Ruelas, esconderijos abstractos, sem um nome

Sem uma morada, não sei, meu amor

 

Não sei onde estão as estrelas da noite, a noite

Deixou de ter estrelas, e a lua

Nunca mais, mais

Teve o luar, ou teve nos lábios

Um beijo de mel

 

Não sei, meu amor.

 

09/09
11:33

Olhos de mar

São os teus olhos, são

As tuas mãos o açafrão que alimenta

A noite, são os teus olhos, são

As estrelas do meu viver

 

São os teus olhos, são

São os teus olhos palavras semeadas

Na última viagem da madrugada, são

Os teus olhos, são

 

São almas penadas, e caminhos por

Caminhar, são os teus olhos, olhos de mar

Na ínfima distância do olhar, são os teus

Olhos, os olhos do meu amar.

 

09/09
06:04

08 setembro 2026

As pedras

As pedras que me lançam, são penas

Tão leves, tão leves que nem as sinto

Brevemente, com elas

Construirei estrelas e mares,

Porque as pedras que me lançam, são penas

Tão leves. Tão leves

Como a chuva.

 

08/09
22:01





07 setembro 2026

Este sítio de viver

A noite é quase a vergonha, na existência

Ausente, deixar na videira

A mão, a sombra

E a semente.

 

A noite é quase vergonha, na vida

Descer, descer até

Ao sítio, ainda com vida

Este sítio de viver.

 

07/09
22:30