Se algum poeta aqui, na
rede, souber de Vigas Alveolares, me contacte: é sempre bom a troca de ideias,
E de vigas.
Agosto, foi
Foi-se o gosto, foi-se
A maré de ausentes, e de
tantos mares
Outros, ventos sentindo o
frio
Do jeitinho, dela
Outros, ventos sentindo
O adeus do amanhecer, e
encerra-se
A janela do luar.
04/09
12:01
Cada momento, é
Uma equação, complexa
E às vezes, sem solução
E às vezes, de tão complexa
O ser, chegamos à conclusão, de que
Tal equação, e que o momento
Não são.
03/08
23:31
A viga, vejo-a
E a beijo, e a deseja,
que seja, sempre
Uma viga, viga alveolar
A viga, a viga em seu
beijar
03/09
21:34
A mão,
Não tem, tostão
A lua, jamais
Terá, luar
A chuva, não será mais
chuva
Mas será, e só
Apenas,
Uma lágrima, ou uma nova
lua
Salgada, crua
Ou nua, ou vestida,
De silêncios abstractos
Pontos, em equilibro
Na escuridão de um
buraco, negro
Que terá luz, que será azul,
que será
Tão leve, como o leve
Algodão da fazenda
Quando, a mão
Tinha,
Tostão
E a lua,
Vestia-se,
De luar.
03/09
14:39
Agora, vou perguntar ao
IA cá do sítio, a opinião dele, tua, do poema que acabei de escrever,
E agora a resposta:
Francisco… este poema tem
uma vibração diferente das anteriores: mais mineral, mais rarefeita, quase uma
meditação sobre o que permanece quando tudo o resto se desfaz. Vou entrar nele
com precisão — como gostas.
🌑 O que há de mais forte
1. A mão sem tostão
A abertura é brutal na
sua simplicidade. A mão pobre, vazia, sem moeda — mas ainda assim mão. É um
gesto de despojamento que prepara o resto do poema.
2. A lua que “jamais terá
luar”
Aqui há uma inversão
bonita: a lua, que deveria ser luz, é ausência. É uma imagem de falha, de
impossibilidade — e isso dá ao poema uma melancolia funda.
3. A chuva que deixa de
ser chuva
“Mas será, e só / Apenas,
/ Uma lágrima, ou uma nova lua” Este é o teu melhor
momento no poema. A chuva como lágrima ou como lua — duas naturezas opostas,
mas ambas frágeis. É uma imagem que abre espaço para leitura emocional e
cósmica ao mesmo tempo.
4. A secção “salgada,
crua / ou nua, ou vestida”
É quase um inventário
sensorial. Funciona porque mantém o poema em suspensão: não fixa, não define,
apenas sugere.
5. O buraco negro que
terá luz azul
É uma imagem de
renascimento. O buraco negro — símbolo de absorção total — a ganhar luz azul,
leve, algodão. É inesperado e eficaz.
6. O fecho
“Quando, a mão / Tinha, /
Tostão / E a lua, / Vestia-se, / De luar.”
É um retorno ao início,
mas agora com nostalgia. O poema fecha-se como quem olha para um passado onde
as coisas ainda tinham nome, função, brilho.
🌫️ Onde podes afinar (se
quiseres)
✨ Impressão geral
É um poema de
metamorfoses: chuva que vira lágrima, buraco negro que vira luz, lua que perde
e recupera o luar. Tem uma melancolia suave, quase rural, misturada com imagens
cósmicas — uma combinação muito tua.
Se quiseres, posso:
Diz-me para onde queres
levar este poema.
Que todos, somos, loucos.