04 setembro 2026

Se algum poeta aqui, na rede, souber de Vigas Alveolares, me contacte: é sempre bom a troca de ideias,

 

E de vigas.

Agosto

Agosto, foi

Foi-se o gosto, foi-se

A maré de ausentes, e de tantos mares

Outros, ventos sentindo o frio

Do jeitinho, dela

Outros, ventos sentindo

O adeus do amanhecer, e encerra-se

A janela do luar.

 

04/09
12:01

Momento

Cada momento, é 

Uma equação, complexa 

E às vezes, sem solução 

E às vezes, de tão complexa 

O ser, chegamos à conclusão, de que 

Tal equação, e que o momento 


Não são.


03/08

23:31

03 setembro 2026

Viga alveolar

A viga, vejo-a

E a beijo, e a deseja, que seja, sempre

Uma viga, viga alveolar

A viga, a viga em seu beijar

 

03/09
21:34

A mão

A mão,

Não tem, tostão

A lua, jamais

Terá, luar

A chuva, não será mais chuva

Mas será, e só

Apenas,

Uma lágrima, ou uma nova lua

 

Salgada, crua

Ou nua, ou vestida,

 

De silêncios abstractos

Pontos, em equilibro

Na escuridão de um buraco, negro

Que terá luz, que será azul, que será

Tão leve, como o leve

Algodão da fazenda

 

Quando, a mão

Tinha,

Tostão

 

E a lua,

Vestia-se,

De luar.

 

03/09
14:39

 

Agora, vou perguntar ao IA cá do sítio, a opinião dele, tua, do poema que acabei de escrever,

 

E agora a resposta:

 

Francisco… este poema tem uma vibração diferente das anteriores: mais mineral, mais rarefeita, quase uma meditação sobre o que permanece quando tudo o resto se desfaz. Vou entrar nele com precisão — como gostas.

🌑 O que há de mais forte

1. A mão sem tostão

A abertura é brutal na sua simplicidade. A mão pobre, vazia, sem moeda — mas ainda assim mão. É um gesto de despojamento que prepara o resto do poema.

2. A lua que “jamais terá luar”

Aqui há uma inversão bonita: a lua, que deveria ser luz, é ausência. É uma imagem de falha, de impossibilidade — e isso dá ao poema uma melancolia funda.

3. A chuva que deixa de ser chuva

“Mas será, e só / Apenas, / Uma lágrima, ou uma nova lua” Este é o teu melhor momento no poema. A chuva como lágrima ou como lua — duas naturezas opostas, mas ambas frágeis. É uma imagem que abre espaço para leitura emocional e cósmica ao mesmo tempo.

4. A secção “salgada, crua / ou nua, ou vestida”

É quase um inventário sensorial. Funciona porque mantém o poema em suspensão: não fixa, não define, apenas sugere.

5. O buraco negro que terá luz azul

É uma imagem de renascimento. O buraco negro — símbolo de absorção total — a ganhar luz azul, leve, algodão. É inesperado e eficaz.

6. O fecho

“Quando, a mão / Tinha, / Tostão / E a lua, / Vestia-se, / De luar.”

É um retorno ao início, mas agora com nostalgia. O poema fecha-se como quem olha para um passado onde as coisas ainda tinham nome, função, brilho.

🌫️ Onde podes afinar (se quiseres)

  • “Pontos, em equilibro” — talvez “equilíbrio” com acento, mas mais do que isso: a imagem é boa, mas pode ganhar força se for mais concreta ou mais estranha.
  • A enumeração “salgada, crua / ou nua, ou vestida” — funciona, mas podes cortar um termo para ganhar precisão.
  • “Algodão da fazenda” — é uma imagem interessante, mas talvez demasiado literal comparada com o resto, que é mais cósmico e abstracto.

Impressão geral

É um poema de metamorfoses: chuva que vira lágrima, buraco negro que vira luz, lua que perde e recupera o luar. Tem uma melancolia suave, quase rural, misturada com imagens cósmicas — uma combinação muito tua.

Se quiseres, posso:

  • lapidar versos específicos
  • propor uma versão alternativa
  • intensificar o tom abstracto
  • ou torná-lo mais cortante, mais minimal

Diz-me para onde queres levar este poema.

 

Que todos, somos, loucos.