22 setembro 2026

Amanhã, não sei se haverá, amanhã

Amanhã, não sei se haverá,

Amanhã.

Amanhã mais uma colonoscopia, e retirada de coisinhas,

Sem, sem anestesia,

Não é a primeira, nem será 

A última, eu o espero.

Depois, comer.

Porque ainda não são, não são 

22 horas, de nem o sono, muito menos,

Comer.

Se eu pudesse comer agora alguma coisa, o que comia eu?

Os teus lábios, obviamente.


Obviamente. Amanhã,

Amanhã talvez me digas, eu amo-te.

Amanhã talvez encontre outro trabalho, menos esforço,

E,

E mais, cabeça.

Quanto a esforços, esforços,

São tantos, eles,

O transverso e o de corte e o momento 

Flector, máximo,

A tensão máxima, o deslocamento,

Máximo.

Depois, o colapso e a carga de colapso.


Sento-me na cama, oiço o oceano pacífico, on line,

Escrevo merdas numa coisa electrónica, e gira.

E imagino-te, nua, de cabeça encostada 

Ao meu peito, quase vento,

Se amanhã, não sei se haverá, amanhã.


(que Deus é bom homem e paga bem a quem o serve. Dizem.)


22/09

21:47