Amanhã, não sei se haverá,
Amanhã.
Amanhã mais uma colonoscopia, e retirada de coisinhas,
Sem, sem anestesia,
Não é a primeira, nem será
A última, eu o espero.
Depois, comer.
Porque ainda não são, não são
22 horas, de nem o sono, muito menos,
Comer.
Se eu pudesse comer agora alguma coisa, o que comia eu?
Os teus lábios, obviamente.
Obviamente. Amanhã,
Amanhã talvez me digas, eu amo-te.
Amanhã talvez encontre outro trabalho, menos esforço,
E,
E mais, cabeça.
Quanto a esforços, esforços,
São tantos, eles,
O transverso e o de corte e o momento
Flector, máximo,
A tensão máxima, o deslocamento,
Máximo.
Depois, o colapso e a carga de colapso.
Sento-me na cama, oiço o oceano pacífico, on line,
Escrevo merdas numa coisa electrónica, e gira.
E imagino-te, nua, de cabeça encostada
Ao meu peito, quase vento,
Se amanhã, não sei se haverá, amanhã.
(que Deus é bom homem e paga bem a quem o serve. Dizem.)
22/09
21:47