28 abril 2026

Já não há primavera nas andorinhas de papel

Já não há primavera nas andorinhas de papel

Já não há poetas nos versos sem graça

Entre versos

Ao pescoço gravatas

De mirra e de incenso


Já não há paciência para este louco Deus

Já não há estrelas no céu

E os rios deixaram de para o mar correr

Para depois morrer

Na sebenta de uma pétala


Já não há palavras para escrever

Já não há portas para arrombar

Já não há livros nos meus livros

Quando os meus livros ainda sabiam cantar

E sonhar


Já não há janelas para abrir

Cigarros para fumar

Já não há lareira ou fogo a arder

Já não há música a tocar;

Assim já posso partir!


28/04