Já não há primavera nas andorinhas de papel
Já não há poetas nos versos sem graça
Entre versos
Ao pescoço gravatas
De mirra e de incenso
Já não há paciência para este louco Deus
Já não há estrelas no céu
E os rios deixaram de para o mar correr
Para depois morrer
Na sebenta de uma pétala
Já não há palavras para escrever
Já não há portas para arrombar
Já não há livros nos meus livros
Quando os meus livros ainda sabiam cantar
E sonhar
Já não há janelas para abrir
Cigarros para fumar
Já não há lareira ou fogo a arder
Já não há música a tocar;
Assim já posso partir!
28/04