Tenho uma mão de tinta para disfarçar a luz do mar, que ainda ontem éramos dois sonhos de um guarda-chuva, mas
O amor é quase uma hora para o fogo, e a tua boca é a melodia do corpo na despedida da última figueira,
E sinto sobre o meu nome um relógio de sémen que também era só uma pétala de pão na esquina da morte.
Tenho uma mão de tinta, e no teu sexo quero escrever o meu nome, porque o amor é também a luz do meu desejo que o sono esconde no silêncio da tua voz
Tão cansado estou, meu amor, e quase não tenho o fogo para te amar, hoje
Que o cansaço parece ser o dia travestido de dezembro, tão triste, meu amor, este cansaço que desiste do mar e da chuva e da tua boca...
E de te tocar, porque esta minha mão de tinta é o aresto que o livro semeia no teu corpo, e quanto mais cansado me sinto, mais negra é a alegria do meu sol, que o meu nome seja o silêncio da última paragem no toque de uma fotografia,
E lá estou eu suspenso na tarde lápide que também foi a primeira primavera do mar,
E eu sofria no sorriso da tempestade que estava sentada na cama como se o fogo fosse só um pedaço de pedra sobre mim.
Coitado de mim que também fui um soldado, e hoje apenas tenho uma mão de tinta que não tem remetente nem destinatário ou
Éramos dois sonhos de um guarda-chuva acorrentado ao jardim do castelo,
E sempre que vinha o vento, o fogo relógio de te amar dançava na flor do teu olhar, mas hoje, meu amor, é tanto o cansaço que eu vou fazer um outro relógio para te amar.
06/03/2026, 21:39
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