25 dezembro 2025

Sou…

Sou, sou a lezíria que passa, e que leva na mão

A mordaça, que a minha mão, em lágrimas, e em brasa

Da mão que enlaça, e desenlaça, a baraça da mão

 

Na mão, em brasa,

 

Sou, sou a aldeia, que passeia por mim, e que semeia

Na outra meia

A terra meia-lavrada, às vezes, aldrabada

Como a roupa que vestimos,

 

E como a terra lavrada,

 

Sou, sou o invisível, e fusível

Do eléctrico quadro, no eléctrico destino

Que a frieza de uma sombra, de vez em quando

Até que é apetecível, e moderno

 

Tal como a eléctrica corrente,

Que é o resultado, às vezes, falha, como eu que sou um falhado

Multiplicando a Resistência pela Intensidade (E=R x I),

 

De uma vírgula, submersa e imersa, nas minhas veias

Que são teias, e que têm saudade

 

Como se eu acreditasse que tenho quilómetros de veias e vasos e

 

Foda-se; acabo de entrar na mecânica dos fluidos, e tantos, e

Que são os orgasmos fluidos, sitiados numa amoreira,

Que talvez o meu pai em vez de

 

Tinha untado as botas,

 

Ou feito um queijo,

 

Mas não, era teimoso, tão teimoso, que

 

Me fez eu.

 

25/12/2025, 22:45



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