31 dezembro 2025

O leão

Onde estás, leão

Selvagem selva o Rei dos soldados

Selvagem, a sede, leão que comer me queria

Leão, onde estás, que aqui jaz, o camafeu curvilíneo

E figueira com espinhas, o pão

O martelo, uma dentada roda, dentro do clitóris de uma abelha, e dás,

Partiu sorrindo, e morrendo, sorriu, e dormiu

Tão leão, tão leãozinho, tenaz, na apertada despedida

A ida

Que era uma imagem envergonhada, só e sós e nós

Descendo o alpendre de uma mão

Onde estás, leão

Na escuridão de uma bala amordaçada, se eu o ser

Lua de mel que também é quase gelo quando a tarde se esconde no silêncio que ainda ontem era

Vento sobre uma mesa de bilhar

Se deita, leão

Leão que saboreia as palavras de uma mesa, e escreve na terra

Sagrada, se despe, leão onde estás

Tão grande que tu eras, e na selva onde moravas

Descansa em submarina profundeza, a despedida

Do outro lado do mar, a aldeia que incendeia

A selva e o leão.


31/12/2025, 23:09


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