11 dezembro 2025

O centeio da despedida

Serra o vento o centeio da despedida, encerra a janela, o vento

Somos as raízes do infinito, depois alguém nos apelida de tolo, e de louco, e de faminto

E de mendigo, e de sem-abrigo, e de não ter um amigo

 

Serra o centeio o mar semeado na algibeira de um adeus, é tão pouca a sobriedade de um beijo, e tanto é o medo

Da espada que se crava na terra, como se ele fosse um desejo

Ou até, um pedaço de merda

 

Que o vento cerra, que o sapato esconde, o centeio vento que o vento me leva, e o centeio da despedida, que é tão pequenino, como aquela árvore junto à ribeira, onde brincava um menino, e um cão

Que latejavam sombras capazes de também elas, e eles

Cortarem a montanha em migalhas, como se de areia fossem, as sandálias de couro da alvorada

 

Serra o vento o centeio da despedida, e a caneta, morre

E o papel, congela nas minhas mão em partida

Que o vento encerra, que o vento me leva

E no centeio fica, uma simples pedra

Fica a caneta, a charrua, a burra e o zimbro de um pedaço de poesia, que se suicida, e que depois

 

É o vento,

Que o centeio serra, que o centeio, abriga.

 

11/12/2025, 05:11

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