Tenho uma insónia que ainda ontem era um pedaço de pão, uiva
Na flor tarde lápide do dia, uma lágrima de tinta
Um pincelar desejo, beijar a tua pele, doce
A árvore do mar, e que hoje é o fogo que ainda está a dormir,
Nos olhos mortos em submarina aflição, uivo
O fogo que também é quase gelo, mas a vida é quase toda desfeita de vontades, e de milagres; o viver.
E esta insónia, inscrita na matriz predial de vale dos poetas, outra palavra te espero, e a escreverei mil vezes na torre da igreja
Que a loucura é um homem com uma insónia, que a sopa está em pedaços de dezembro, então não esperes por mim do outro lado do mar, em gente larga o silêncio e a luz e
E também a água. E o beijar
No pão da insónia, não terminou o dia e a luz é também chuva, é
Também o outro pertence, termina o corpo em não me pertencer, porque o ser, porque nós somos odiados pelas mãos do mundo, e no entanto
O momento, o alguidar quase pronto, mas a vida também é um pedaço que ainda ontem era a única sílaba de tinta.
Se eu matar este pedaço de pão, migalha após migalha, o cheiro do sémen contramão contra a porta de entrada, que a insónia
Estrada, que foi migalha, que foi bala de brincar, que
Nunca me acompanha, mas aos poucos todo o fogo é quase a água do clitóris, em chamas lágrimas, que o meu sangue é ferrugem, que no meu sangue habitam cubatas de cartão, e de inícios a de falhanços e
Rua, primeira parte do castelo branco e que gemia de um guarda-chuva que se enfeitava com loiras plumas, não
Não.
É mentira.
Não tenho. Nunca tive.
Insónias. Porra.
10/12/2025, 21:53
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