Acerto o relógio, e o escondo
no meu peito
Como se ele fosse um
pedaço de pedra, como se ele fosse um lápis
A invernar riscos nos
lábios da geada
A hibernar sorrisos em
cada lágrima soalheira, e chorada.
Acerto este relógio,
mecanicamente sensível ao sono, medicamentado pelos relojoeiros do burgo
E a cada hora disparada
contra o alvo da alvorada, uma lareira
Sente o frio norte das
minhas mãos
E é quase a chuva, e foi
quase o vento
Que semeou as tempestades
no soalho madeira da aldeia
Que está quase surdo,
este relógio
Que sente a semente
lançada da mão da primavera,
E que sofre a cada doze badaladas,
suadas e cansadas
As frias noites de uma
enseada, tão longe, e tão perto
Do pequeno murmúrio de
não ser eu.
03/11/2025, 22:16
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