03 dezembro 2025

Frias noites

 

Acerto o relógio, e o escondo no meu peito

Como se ele fosse um pedaço de pedra, como se ele fosse um lápis

A invernar riscos nos lábios da geada

A hibernar sorrisos em cada lágrima soalheira, e chorada.

 

Acerto este relógio, mecanicamente sensível ao sono, medicamentado pelos relojoeiros do burgo

E a cada hora disparada contra o alvo da alvorada, uma lareira

Sente o frio norte das minhas mãos

E é quase a chuva, e foi quase o vento

 

Que semeou as tempestades no soalho madeira da aldeia

Que está quase surdo, este relógio

Que sente a semente lançada da mão da primavera,

 

E que sofre a cada doze badaladas, suadas e cansadas

As frias noites de uma enseada, tão longe, e tão perto

Do pequeno murmúrio de não ser eu.

 

03/11/2025, 22:16

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