21 dezembro 2025

Em te nevar, meu amor

Se eu te nevasse, meu amor

Sobre a fresca erva que procura o vento, e que sente

O tempo na primeira pergunta da noite, como poderei eu te nevar

Sem que machuque a árvore do meu quintal, depois temos as estrelas

Que são as janelas do tecto onde o mar é a saudade

 

Depois, há uma cidade

Há uma rua e uma de luz esquina, uma criança

Traquina, que passeia um cão adorável, lento e grande

E pachorrento, e tão alegre

Como era em mim, ontem, o vento de levante

 

E do rio que se veste de mim, e procura

Na sombra de um candeeiro, aquilo que sobejou

Dos dias e das noites, e das horas dos dias

Páginas submersas na tempestade de areia

Que em mim se esconde, e semeia

 

Sobre a tua pele, a neve circular de um olhar…

Se eu te nevasse, meu amor

Como neva na montanha, quase a tocar o céu

Quase,

Quase a neve do teu beijo

 

No teu silêncio em pedra, no granito

Grito, a alvorada em demanda, solta

Que corre e que brinca, e que é a seara

E é também a charrua, e que é também

O meu desejo, desejar em te nevar, nua.

 

21/12/2025, 03:25

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