Se eu te nevasse, meu amor
Sobre a fresca erva que
procura o vento, e que sente
O tempo na primeira pergunta
da noite, como poderei eu te nevar
Sem que machuque a árvore
do meu quintal, depois temos as estrelas
Que são as janelas do
tecto onde o mar é a saudade
Depois, há uma cidade
Há uma rua e uma de luz
esquina, uma criança
Traquina, que passeia um
cão adorável, lento e grande
E pachorrento, e tão
alegre
Como era em mim, ontem, o
vento de levante
E do rio que se veste de
mim, e procura
Na sombra de um candeeiro,
aquilo que sobejou
Dos dias e das noites, e
das horas dos dias
Páginas submersas na
tempestade de areia
Que em mim se esconde, e
semeia
Sobre a tua pele, a neve
circular de um olhar…
Se eu te nevasse, meu
amor
Como neva na montanha,
quase a tocar o céu
Quase,
Quase a neve do teu beijo
No teu silêncio em pedra,
no granito
Grito, a alvorada em
demanda, solta
Que corre e que brinca, e
que é a seara
E é também a charrua, e que
é também
O meu desejo, desejar em
te nevar, nua.
21/12/2025, 03:25
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