09 dezembro 2025

A colmeia dos sonhos

O mel está pronto para disfarçar o dia que ainda ontem éramos dois passageiros sem bilhete, nem destino

Que a sopa é quase gelo quando a luz água do clitóris, é também

O vértice da última figueira na chuva

E às vezes peço à máquina de fazer abelhas um pouquinho de tinta para disfarçar o fogo, é tanta coisa que falta em cada arruamento construído enquanto o silêncio é quase o encarnado deserto na flor de uma mágoa

E depois temos as pétalas desobedientes escondidas dentro de livros de poesia, temos também os testículos de um alfinete, em busca do sol

Depois há um pedaço de pão em circunferências no limiar sono onde o maquinista do triciclo atropela uma sandália de couro

E ainda não terminou o dia e as abelhas amarradas à insónia de um guarda-chuva que se enfeitava com loiras plumas, e que também

Dançava a dança do mar

Mas, aos poucos, todo o mel ficou noite, e

Milhões de homens-espingarda começaram a lançar pedras contra a noite.

Nunca mais houve noite na colmeia dos sonhos.

09/12/2025, 22:55


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