09 novembro 2025

Versos

 

Quase que não tenho versos, deste meu capitão, sem quase versos

Quase que este navio chora, e procura na noite

O luar de outros tempos e de outros encantos

De quando a chuva ainda era a fina porcelana sobre a mesa

 

Sobre a cama, um fio de sémen no silêncio deste oceano

Que nunca teve um nome, que nunca teve a esperança

De dormir nas mãos de um solstício de medo, de caminhar sobre o vento, no vento de sofrer

 

Para quê escrever versos, se ninguém os lê ou os quer

Os versos, e nem querem ver as minhas mãos

Que sangram, que sangram palavras

 

No final do dia

E cada janela que tento abrir, apenas sinto o odor

De um rio que há muito deixou de sorrir.

 

09/11/2025, 08:25

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