06 novembro 2025

Também eram espadas, As saias da árvore pertinho da escola

 

Também eram espadas,

As saias da árvore pertinho da escola, também eram janelas em porcelana, os cortinados sombrios de um beijo

E eram rios de sangue, as lágrimas da escola

 

Também era criança, de ao ombro sacola

Saltava sobre as pedras das tardes na penumbra, lá fora havia uma rua,

E uma mulher, nua

Atravessava a rua

 

E um livro em granito eu sentia no peito, e eu sentia o frio gemido de um orvalho, tão fino, e sem jeito

Capaz de correr e subir à montanha mais alta da aldeia

 

E depois?

Também espadas, eram as saias da madrugada

Quando um barquinho de sono, poisava a cabeça sobre o dia, e morria o dia.

 

06/11/2025, 05:40

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