07 novembro 2025

Sua gata na avenida

 

A madame passeia sua gata na avenida, não sabe sua gata

Que a avenida é um tormento

De nome liberdade, de livre

Não o era, eu

 

Que a descia que a subia, às vezes drogado, outras vezes, embriagado, ou ambas, que pedia ajuda ao sol, e depois

Vinha a lua, toda nua, trazia na mão uma outra avenida

Escondida num espelho, velho e ferrugento

Até que o sul partia em direcção ao norte

 

A gata começou a ler poesia, depois

Aprendeu francês, e muito mais tarte

Comprou uma casa com piscina

 

Mas a gata era sabida, astuta, e nunca deixou que qualquer poeta, esses, de rua, e miserável

Tocasse na madame, até que a liberdade, na avenida…, deixou de sorrir

 

07/11/2025, 22:02

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