A madame passeia sua gata
na avenida, não sabe sua gata
Que a avenida é um
tormento
De nome liberdade, de
livre
Não o era, eu
Que a descia que a subia,
às vezes drogado, outras vezes, embriagado, ou ambas, que pedia ajuda ao sol, e
depois
Vinha a lua, toda nua,
trazia na mão uma outra avenida
Escondida num espelho,
velho e ferrugento
Até que o sul partia em
direcção ao norte
A gata começou a ler
poesia, depois
Aprendeu francês, e muito
mais tarte
Comprou uma casa com
piscina
Mas a gata era sabida,
astuta, e nunca deixou que qualquer poeta, esses, de rua, e miserável
Tocasse na madame, até
que a liberdade, na avenida…, deixou de sorrir
07/11/2025, 22:02
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