11 novembro 2025

O fogo

 

O fogo aquece a sanzala enquanto o cortinado de cacimbo cobre os seios da cubata

A mulata, em lágrimas escondida no capim de um abraço

Que quase é pó

 

Dos braços meigos do silêncio envenenado pela espada de cetim, um gaiato desenha na terra círculos de luz

A sopa quase fria, sobre a mesa

E um livro, tão quente, ou mais quente, do que a sopa sobre a fria mesa

 

Rasga a luz negra de um desejo, porque havia um menino

Vestido de rua, e que procurava a sílaba mais bela

Da sanzala, ou da floresta, mesmo ali ao lado

 

E o fogo só se extingue quando cessarem as lágrimas da chuva, porque os barcos são só pedaços de sucata

No ventre misterioso desta pobre mulata.

 

11/11/2025, 07:48

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