O fogo aquece a sanzala enquanto
o cortinado de cacimbo cobre os seios da cubata
A mulata, em lágrimas
escondida no capim de um abraço
Que quase é pó
Dos braços meigos do
silêncio envenenado pela espada de cetim, um gaiato desenha na terra círculos
de luz
A sopa quase fria, sobre
a mesa
E um livro, tão quente,
ou mais quente, do que a sopa sobre a fria mesa
Rasga a luz negra de um
desejo, porque havia um menino
Vestido de rua, e que
procurava a sílaba mais bela
Da sanzala, ou da
floresta, mesmo ali ao lado
E o fogo só se extingue
quando cessarem as lágrimas da chuva, porque os barcos são só pedaços de sucata
No ventre misterioso desta
pobre mulata.
11/11/2025, 07:48
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