04 outubro 2025

silêncio

 

a textura de um som,

oiço-a,

pincelo-a na penumbra página de uma mão invisível, à procura do sol,

invento-a, e escrevo-a em cada sombra do meu relógio.

 

na partitura de um beijo, quando do desalento de um livro, há olhos que vêem a textura do som,

sobre a árvore do quintal, assobiando pássaros e que me perguntam, qual é a cor do silêncio,

 

este silêncio de que nunca lhe conheci uma cor,

ou um sorriso,

ou na camuflada maré, a viúva que chora à janela.

 

o som é um pequeno cubo em vidro, no vácuo de um destino

mergulhado na cera milenar de um pingo de luz,

cansada de ouvir o som na textura de um silêncio.

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