17 outubro 2025

se o olhar o ter

 

se o olhar o ter

a terra semear depois virá a chuva amanhecer

acordarão os pássaros em seu sonhar

e do sol regressará outro mar

 

e barcos novos nascerão sobre as acácias do antigamente

e corpos descalços servirão de gente

talvez o rio desça a calçada

e encontre uma criança descalça em busca de uma nova madrugada

 

e o olhar nunca o terá conhecido

a terra jamais será semeada

porque a terra é uma charrua

 

e por ninguém ela é puxada

porque o vento o saberá fazer com todo o cuidado depois de a lua

e muito depois do tempo o poeta se ter matado

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