07 outubro 2025

Se não o toca, há escuridão em seus olhos vergados

 

Se não o toca, há escuridão em seus olhos vergados, dos seus lábios embriagados pelo desejo de um pedaço de chocolate,

E dos lábios ao céu um outro olhar almeja, o dia que não vem, e quando vem, sempre com a desculpa,

Entre a culpa e uma espada de espuma, na rua eu grito e semeio, cada vírgula de uma nova primavera.

 

Se não o toca, toca-o o sorriso de uma janela envidraçada, às vezes sente-se tão triste e tão desamada, nas vezes que descobre, no bolsinho do alguidar, aquela pétala de rosa há muito esquecida, nas páginas de um livro

Outro barco emerge e se ergue da montanha o sino mais barulhento e andante, quase chuva

Nos joelhos de um gaiato.

 

O comer esfria no prato. Cada palavra tem um sabor único e poético, e cada verso parece o vinil em rotações cada vez mais curtas, até que ela se despe, se deita, e se esquece que depois de cada lágrima, acorda sempre

Sempre outra primavera.

 

Se não o toca, há escuridão em seus olhos vergados.

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