Se não o toca, há escuridão
em seus olhos vergados, dos seus lábios embriagados pelo desejo de um pedaço de
chocolate,
E dos lábios ao céu um
outro olhar almeja, o dia que não vem, e quando vem, sempre com a desculpa,
Entre a culpa e uma espada
de espuma, na rua eu grito e semeio, cada vírgula de uma nova primavera.
Se não o toca, toca-o o
sorriso de uma janela envidraçada, às vezes sente-se tão triste e tão desamada,
nas vezes que descobre, no bolsinho do alguidar, aquela pétala de rosa há muito
esquecida, nas páginas de um livro
Outro barco emerge e se
ergue da montanha o sino mais barulhento e andante, quase chuva
Nos joelhos de um gaiato.
O comer esfria no prato. Cada
palavra tem um sabor único e poético, e cada verso parece o vinil em rotações
cada vez mais curtas, até que ela se despe, se deita, e se esquece que depois
de cada lágrima, acorda sempre
Sempre outra primavera.
Se não o toca, há escuridão
em seus olhos vergados.
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