27 outubro 2025

Se cobre de espelhos o ensanguentado corpo, morto

 

Se cobre de espelhos o ensanguentado corpo, morto

Uma pedra capaz de chorar, um mendigo, que sorri

Um avião que se lixa, e bate contra a porta da vizinha

Uma mulata que coisas adivinha

A cigana que lê a sina

E ao longe muito longe

Brinca uma menina

 

E dentro dos espelhos, amargos olhos lavram as mãos da charrua, tão velha, e tão nua

A Filó mais uma vez recusou ir comigo à lua, tás maluco Luís!!!!

E vou só, e quando lá chego, já outros lá estiveram, abro a porta, a porta que dá acesso à lua

E ela, a Gabriela, dança sobre a mesa de bilhar

Uma bola encarnada, cai, desce as escadas, e muito

 

Se cobre de espelhos o ensanguentado corpo, morto.

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