02 outubro 2025

são as tuas mãos ausentes

 

habita-me, enquanto o sol adormece,

e a lua brinca na tua mão,

habita-me, depois das nuvens escurecidas

poisarem no chão,

e que das tardes perdidas

nasça a lareira que nos aquece,

 

e inventa em nós, as marés perdidas

que passeiam junto ao rio.

habita-me, na ausência do sono estrelar,

quando as gaivotas em cio,

perdem-se sobre o mar,

habita-me, enquanto estas flores adormecidas

 

são apenas flores adormecidas.

habita-me, como se eu fosse um poema que depois de morrer

vagueia na floresta dos pássaros pensantes;

habita-me, sem que eu perceba que viver…

não são apenas as estrelas distantes,

que viver… são as tuas mãos ausentes.

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