Voltei
A abraçar-te no infinito
quarto de pensão
Embrulhado no teu corpo
humedecido,
Esquecido na escuridão.
Através da janela mal
fechada
Pássaros estúpidos e
cansados de viver
Discutem literatura,
Poesia,
E dizem que Deus os
abandonou…
As nossas sombras são
projectadas
Nas paredes despedidas de
cor,
Parecem cansadas,
Velhas,
Longínquas…
E se confundem com o fumo
do meu cigarro.
E a cama?
Parece o mendigo
Que passa as noites na
rua deserta
E sente todos os ossos
que fazem um barulho infernal,
Como as dobradiças
perras,
Adormecidas no tempo.
Ouço vozes de mulheres
que se perderam na idade
E se escondem na
Pastelaria Gomes,
Velhinhas engraçadas,
E que recordam o
antigamente
Como se estivessem no
presente.
Mas o que me interessa é
o teu corpo!
As tuas mãos no meu peito
Como se estivesses a
acariciar uma flor,
Esquecida no orvalho da
madrugada.
Os teus dentes cravados
no meu pescoço
Imaginando prazer,
Liberdade.
E esqueço-me que a tua
mão
Se esconde na minha mão,
E que o teu corpo é meu,
Só meu.
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