23 outubro 2025

Às vezes

Às vezes sou um pequeno fio de água em corridas e descidas, entre pedras,

Pedras perdidas,

Entre pedras sentidas, às vezes sou um nada disfarçado de tudo,

Quando sei,

Que nada sou

Nem sei,

 

Não sendo, tento o ser

Às vezes sou um poema que ninguém lê ou quer ler,

Quem haveria de me querer ler?

 

Às vezes, nem vezes tenho, restando-me a divisão, a subtracção e a adição,

E outras vezes, nem às vezes, sou um petroleiro em pequenos círculos dentro de um longo e frio,

Corredor,

 

Às vezes sou jardim, às vezes

Sou os rochedos da tempestade do sono,

Às vezes apetecia-me brincar, as vezes

Não me apetece,

Mas dou comigo a chorar,

 

Às vezes.


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