17 outubro 2025

O teu corpo é a manhã de Outono

 

Enquanto o rio galga as pedras da insónia,

Percebo que o teu corpo é a manhã de Outono,

Que dos teus cabelos caem as folhas em poema

Onde habitam as tristes palavras que invento,

E não tenho medo do grito,

Quando a tua voz se entranha no amanhecer,

Enquanto se erguem as imagens que deixei suspensas na noite anterior…

E mesmo assim, abraço-me aos círculos com olhos verdes,

Sou prisioneiro de um velho espelho,

Moro lá, escondo-me lá…

E escrevo lá; e as palavras que te envio

São as pedras da insónia que o rio que és tu, galga.

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