15 outubro 2025

O síbilo que de deus me pertence

 

O síbilo que de deus me pertence, e que me vence pelo cansaço quando a água é o único abraço do outono

O poema-ião, que o sol atormenta e que de mim afoguenta

O reactor nuclear que transporto no peito, o urânio de mão entrelaçada com uma reacção-prisão, depois a cadeia, e fricção

E a desilusão, em busca de espadas,

Na boca de uma serpente

Que ninguém sabe se ela está doente,

Ou se apenas também é gente, da outra gente

 

Não mereço ter tido um berço, não mereço dizê-lo, quando a chuva era transparente, e da algibeira, o pente

Que sentia aquele cabelo branco, que depois não sentiu mais, que depois

O vento não lhe trouxe mais cabelo, e do vento apenas um par de botas trinta e quatro, depois o trinta e cinco

Depois foi habitar para o trinta e três, que um dia

E que talvez,

Uma bananeira lá pernoitou também, a caserna era tão imunda, como imundas eram as ratazanas que se comiam umas às outras, no corredor, tão fino e tão escuro,

Como a morte

 

De nunca ter tido eu a sorte e o síbilo que de deus me pertence e que descanse,

Em deus paz,

Que há sempre, sempre

Uma saída de emergência em cada corredor da vida, desde a nascença até ao mictório mais próximo, que quando percebia que o vizinho, olhava e desejava,

A minha pila

 

E eu fingia, que não tinha vinho algum

E que não tinha pila, e

Apenas estava ali porque chovia torrencialmente, como toda a gente

A gente que sente, a gente que trabalha, que labuta

Que às vezes confunde, se confundo com o propano,

E o gémeo irmão,

Um tal de butano

 

Depois vinham mais hidrocarbonetos, e muitos outros

Que de deus nada sabiam, a não ser

Que havia uma fisga sobre a mesa e que sobre o soalho está a dita mesa, e sempre

A não ser

Que a fisga é louca, e que os figos secos, detesto-os, porque detesto,

Aguardente

 

E novamente,

Vem gente,

Gente louca, louca gente…

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